A água deixa a minha visão turva e o meu ouvido abafado.
Mas ainda sim sou capaz de ver e ouvir.
Perco as perspectivas, tudo pode ser grande ou pequeno demais.
Não sei onde estou, só sei que o fundo do rio pode demorar a chegar.
Ele passa por mim as vezes forte, as vezes fraco.
As consigo boiar, as vezes mal consigo colocar os pés no chão.
Mas nunca o rio é o mesmo e nem eu.
Talvez eu nem tenha forças para voltar a superfície um dia.
Talvez eu apenas esteja vendo as coisas turvas demais.
Talvez estar rodeada de água me deixe sentimental demais.
Preciso respirar, mas só sinto água.
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