domingo, 20 de julho de 2014

Diário, porque nunca tive um.

Conheço pessoas que só são capazes de expressar explicitamente os sentimentos através de um texto. Isso começa desde da criação do diário pessoal, até as longas cartas de amor.

Me lembro na minha infância que o difícil período de adolescência da minha irmã onde suas ideias batiam de frente com os ensinamentos de nossa mãe eram resolvidos com longas cartas de desculpas. Criei uma certa angustia quanto a essa ação porque a minha mãe as vezes achava essas cartas e relia e ficava triste. Claro que isso resolveu muito as coisas por aqui. A comunicação foi capaz de fluir sem o calor da emoção de um olho no olho.

Mas eu criei essa ideia na minha cabeça, de que tudo o que se escreve será lembrado para sempre! Por isso tentei alguma vezes ter um diário mas nunca concretizei o hábito. Existe muita coisa sobre a minha vida que eu não faço questão de lembrar, recalco tudo mesmo sem dó nem piedade. Isso as vezes me faz esquecer junto de coisas boas, infelizmente.

O ultimo episódio que me fez desistir de escrever fatos sobre os meus sentimentos explicitamente foi uma carta que escrevi para um peguete que eu era apaixonada, logo antes de vir para Curitiba. Ele obvio cagava e andava para mim mas eu jovem e inocente amava aquele sorriso e as músicas que ouvíamos juntos! Enfim, guardei a carta que nunca entreguei por orgulho. Meu ex-namorado achou e foi um drama ler aquela carta! Traumatizei!

Por isso sempre gostei de poesia, nela dizemos tudo e não dizemos nada! Eu arrisco em escrever uma poesia aqui, outra ali com rimas intercalas. Assim, nem eu mesma me lembro dos momentos ruins nem as outras pessoas ficam sabendo que eu estava sofrendo. haha

Mas esse blog deu uma mudada em todo o imaginário sobre tudo isso que eu criei, coisas ditas aqui parecem nós desfeitos. Não sou muito detalhista não é mesmo? Mas as coisas saem pra fora, aquele sentimento preso no peito. Meu ascendente em Gêmeos agradece! Estava eu relendo então os meus posts e dois são sobre términos de relações, oras profundas, ora duradouras. Mas nenhuma em branco.

Estava eu aqui com vontade de dizer ao contrário, sobre começos...

Mas no fim, recalquei o que eu ia dizer enquanto escrevia esse texto!

Obrigada pela atenção! ;]

Ps: Caso tenham se decepcionado com a falta de fim desse texto recomendo esse texto científico sobre diários, lá com certeza tem uma conclusão sobre o assunto abordado.

"O diário íntimo como produto da cultura moderna"
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1809-52672010000100004


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