terça-feira, 24 de junho de 2014

Viver

"A pior solidão é a solidão de si mesmo. Você sente essa solidão", disse a minha astróloga quando leu o meu mapa do nascimento.

A vida de formanda é muito engraçada. É um tempo que passamos muito tempo sozinhos no quarto pensando a vida, introspecção. Mesmo aqueles que já conseguiram um emprego depois da faculdade, pois os estudos do bacharelado sugam toda a nossa energia psíquica.

Eu tenho trabalhado, um pouco aqui, um pouco ali. Nada que eu possa dizer que posso sair da casa dos meus pais, longe disso alias. Tenho feito um curso de fotografia que está sendo maravilhoso mas uma pena ser só duas vezes por semana. Ter muito tempo livre nos deixa ansiosos.

Ansiedade é a palavra dada a aquele sentimento que todo mundo tem uma vez na vida, outros vivem a vida inteira nele. Aquilo de viver no futuro. Se eu fosse contar quantos caminhos eu sou capaz de pensar em seguir a partir daqui vocês não tem ideia. Aquariana que sou, vivo no mundo das ideias. Cada uma mais extraordinária que a outra. Quase nenhuma realizada, não por preguiça. Mas se não tem ninguém para te dizer que você precisa parar de pensar e começar a realizar... a mente vai tão longe que nunca volta. Amyr Klink, aquele brasileiro que atravessou o Atlântico num barco a remo sozinho, me entende. Ele falava "um dia é preciso parar de sonhar, tirar os planos da gaveta e começar". Eu nunca entendi como ele conseguiu parar de sonhar, mas ele era Libriano.

Enfim, o pior da vida nova é o medo. Sim, o medo, aquele que não deixa saber onde vai pisar. Não me venha com frases de efeito tentando me consolar "não tenha medo, apenas faça". Duvido que você no meu lugar falaria que as coisas são tão fáceis assim. Gosto de conselhos que pesam as dificuldades psíquicas das pessoas. Alias, a melhor conselheira pra mim, sou eu mesma. Me desculpem, não é por mal mas só eu me entendo.

O que eu diria para mim? "Vai aos poucos, o importante é não ficar parada. Uma hora você descobre o que você quer." É isso que eu estou fazendo! Mas as pessoas não entendem, elas acham que eu tenho que ganhar 2 mil reais por mês até o final do ano.

Mas fora essa ansiedade de encontrar um novo rumo para minha vida a pior parte de estar formada é estar sozinha. Não tenho namorado, e coitado dele se eu tivesse um agora. A minha solidão vem mais da falta do universo estudantil. Ver pessoas de monte todos os dias me fazia bem, eu sou um bichinho social odeio ficar sozinha. Está sem o que fazer final de semana? Os seus calouros sabem o que fazer. Encontrar novos amigos de outros países? A PUC resolve isso para você, ou simplesmente uma coxinha cheia de catupiri e capucino enquanto fofocamos sobre a comissão de formatura.

Não, não sinto saudades do TCC. Se eu puder, nunca mais passaria por um TCC na vida. Odeio escrever, foda-se todas as pessoas que acham que porque eu me formei em Jornalismo sou obrigada a gostar de escrever. Como se Jornalismo fosse apenas escrever, como se o meu sonho desde que entrei na faculdade não fosse o fotojornalismo. Alias, quando entrei na faculdade, eu aprendi que amo também produção! Fazer pautas, montar cenários, buscar entrevistados para o rádio! Amo muito. Mas escrever... dá licensa que eu além de não saber fazer isso direito como você deve ter percebido, me irrita ter que colocar as ideias em palavras. É como se eu estivesse colocando matemática nas ideias, como se 2 mais 2 fosse uma palavra combinada a outra para formar a frase que é quatro. NÃO!!! Ideias são muito mais do que isso, não são matemática. Ok, vocês não vão me entender. É algo muito particular, um pensamento inovador demais para vocês meros não aquarianos. haha

Enfim, estar sozinha é muito ruim. É como uma voçoroca, que vai se abrindo com a enxurrada de pensamentos, sem nenhuma árvore para segurar a terra ali. Porque eu não plantei nada, não sei viver comigo mesma. Agora ou eu aprendo a plantar ou vou virar um grande abismo.

Morrer dentro de si é fácil, basta apenas não lutar contra a tempestade. Viver é a parte difícil da vida. Vamos lá então? Afinal de contas eu não sou fraca. Sou, apenas, sensível e isso me torna mais forte cada dia mais.

"Nada é por acaso" eu disse quando saí daquela sessão de astrologia.

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